São fortes estes penedos. Mais ainda quando pousam
delicadamente uns sobre os outros. Num intrincado equilíbrio não têm medo de
mostrar a sua fragilidade.
Gostaria de ver os fios invisíveis que nos unem. Os mais
flexíveis, que suportam a realidade e as invenções, que cedem: quase quebram,
mas não quebram. E os outros, sobretudo os outros, os que brilham ao sol, que
exibem perfeitas gotas de água, mas que se fazem e desfazem sem aviso prévio.
Nada é só isto ou só aquilo, nada é definitivo,
peremptório. Aquilo que umas vezes nos liberta, outras vezes nos prende. Se em
alguns momentos preciso de abandonar as palavras no papel, noutros escrever é
algo que não me pertence. Assim sou, assim somos. Assim nos abrimos,
desafiamos, sentimos vivos.