segunda-feira, 7 de novembro de 2016

CORAÇÃO-II

Foi à loja para trocar o coração. Por um que sentisse menos. Que não estivesse ao pé da boca. Ou, melhor ainda, um longe dos olhos abandonados à água. Afinal, trocava-se tanta coisa!
Disseram-lhe que os transplantes eram assunto sério: artérias entupidas, enfartes, coisas do género. Que voltasse nessa altura.



domingo, 6 de novembro de 2016

PERSPECTIVA

Não chegaste aqui para teres uma única perspectiva do mundo. Para isso, seria mais fácil teres nascido noutro sítio.
Em tudo há uma união, um sentido, que te cabe descobrir. E nessa fusão de realidades compreenderás as diferenças. 


terça-feira, 1 de novembro de 2016

OUTONO-VII

Estas folhas ainda são bonitas. Caíram. Mas a luz que as recebe, num subtil movimento, preserva a harmonia da essência.




domingo, 30 de outubro de 2016

ABRAÇO

Abraço-te. Contigo não há abraços indiferentes. Porque sinto, na imaterialidade dos braços que me envolvem, toda a energia da terra.


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

BERGAMO

Já tinha estado aqui e não te conhecia. Porque fiquei nos arredores, descurando o âmago: a cidade alta. Saindo do teleférico ofereceste-me as ruas estreitas, o duomo, as varandas de flores, a vista perdendo-se na cidade.
















domingo, 16 de outubro de 2016

Yin e Yang - III

A ideia de que o absoluto não existe: ou que resulta de partes que se complementam; às vezes, contradizem-se. Não há melhor nem pior, e uma não é nada sem a outra. Brilhante maneira de ver o mundo, na sua transitoriedade, nos ciclos que fazem da vida o eterno deslumbramento. Sem chuva, perderíamos o odor da terra molhada. O nevoeiro, traz-nos a ânsia do sol, hidratando as mucosas. O vento agita o cabelo e descabela as ideias. Segue-se-lhe uma quietude que as acalma.
Acarinho esta nova forma de ver a vida.




quinta-feira, 6 de outubro de 2016

ATENAS

Caminhar nestas ruas, nesta mistura de sons e cheiros, traz-me saudade da cidade de onde vim. Nos prédios em ruínas, no lixo entranhado dos pavimentos, na abundância de pichagens, num cenário  de pós-guerra de uma guerra que não houve, invade-me o privilégio de viver no Porto.