quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

INVERNO

Temos um Inverno muito seguro de si, que se leva muito a sério. Nada de dias frios e pronto, uma chuva aqui outra ali, alguma neve, às vezes vento. Há que chover dias a fio, levar a humidade aos sítios mais recônditos. Vendavais, virar guarda-chuvas e ondas, inundar casas e ruas, afogar qualquer resto de bom humor. Isso sim, é o que faz um Inverno como deve ser!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

LIVROS

Há livros em que nos demoramos nas palavras. De tão bela a escrita, desligamo-nos do enredo. Relemos. E as imagens construídas iluminam-nos o dia.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O elogio

Andava triste. Onde vivia não tinha grande utilidade. Toda a primazia era dada à sua oponente, a crítica.

Era considerado um incentivo à presunção, à preguiça, um apelo à facilidade.

Foi-se embora.

Soube-se mais tarde que encontrou o seu lugar numa comunidade, dita primitiva, onde as pessoas nasciam para serem felizes.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

SAUDADE - III

Fazes-me falta nas palavras que não trocámos. Sinto-o sobretudo quando se pronuncia o teu nome. E nesse momento, as lágrimas atravessam a memória do teu rosto.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

As mulheres

Seres multifacetados, portadores de uma inesgotável energia, capaz de transformar o cansaço em sorrisos.

Emocionam-se facilmente, mas sem aviso prévio passam das lágrimas ao riso.

Correm pela casa, gritam, mas demoram-se nas carícias.

Perdem as chaves, perdem as horas em intermináveis conversas, perdem a paciência, perdem-se de si mesmas. Mas nunca perdem os filhos. Nem mesmo quando estes se perdem.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

COMUNICAÇÃO

Como mamíferos evoluídos criámos um elaborado código de comunicação. Aprimorámo-lo, abandonando os gestos, o olhar, a aparente imprecisão da comunicação não-verbal.

Estamos cada vez mais ausentes da própria comunicação, mas o que dizemos (escrevemos) pode alcançar o mundo. Paradoxalmente, o que é veiculado, é sobretudo a estupidez humana.

O pijama

A perna do teu pijama às riscas espreitou por baixo da tua almofada. Perdida, enrodilhada, trouxe-me a saudade da tua presença. E o conforto do teu regresso.