terça-feira, 6 de setembro de 2016

O mosquito

O mosquito, gabarola, zumbe a sua presença: aqui estou.
Pela boca morre o peixe; neste caso, o mosquito, que acaba espalmado no espelho da case de banho.

Créditos Internet

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Nevoeiro no Porto

O que esconde o nevoeiro, na expectativa das gaivotas, na quietude dos barcos alinhados, na luz coada que devolve reflexos?










domingo, 4 de setembro de 2016

MULHERES - II

- Telefona quando chegares.
- Há que ser pragmático. Eu levo o bilhete de identidade. Se acontecer alguma coisa és a primeira a saber.
Mas as mulheres vivem no mundo das emoções, flutuam do riso às lágrimas numa alternância vertiginosa, e o pragmatismo devem tê-lo perdido no caminho da maternidade.


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

ASTIGMATISMO

É um fenómeno curioso, especialmente quando aliado à presbiopia. Resulta numa incapacidade que me leva a já não ler correctamente sem óculos. Em contrapartida, aumenta contornos, como se a escrita tivesse duplo traço, incrementando o número de símbolos: traz um novo sentido à antítese realidade virtual.


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

CAVALOS

Ali estão eles pastando, indiferentes aos intrusos que se aproximam. O potro, curioso, olha-nos. Estão serenos. Abanam o incómodo das moscas no agitar das caudas, nos movimentos lentos, nos reflexos do rio. Afastam-se, imponentes, já que os intrusos, armados de câmaras e tripés, vieram para ficar.









segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Nascer do sol

Privilégio dos insones, ver nascer o sol é para mim um desafio. Vencido o apelo da cama, feitas as tarefas matinais num atordoamento pouco habitual, saio de casa.
Descobrimos que não estamos sozinhos. São os peregrinos: os verdadeiros. Nós, de carro, somos os da fotografia.
Subimos ao Sobral da Ermida, ganhando a luz à medida que noite adormecia. Percebemos que o local escolhido não era o melhor: um monte em frente não deixou ver o esplendor da chegada do astro-rei. E já não havia tempo para mudar de posição. Mas assistimos ao seu acordar, no lento alastrar da luz dourada nos montes, nas luzinhas que se apagavam, no enlevo da paisagem.
Descobrimos um miradouro para uma próxima observação.














domingo, 28 de agosto de 2016

ÓCULOS – IV

- Tenho de ver a minha vida. – Disse ela.
E foi buscar os óculos. Limpou-os. Não melhorou. Riu-se do engano: aqueles não eram os óculos de ver a vida.