quarta-feira, 8 de março de 2017

NEVOEIRO - II

Estava ainda mais enevoada do que a cidade que a neblina engolia. Bússolas inúteis agarravam-se-lhe aos dedos. Ridículas: aquele nunca seria um nevoeiro de faz-de-conta.


terça-feira, 7 de março de 2017

PORTUGAL

Gosto do sol e do mar
Da família, da comida
Não gosto de reclamar
Fazendo parte da vida

Nada funciona à primeira
Tudo é feito sem razão
E se é feito dessa maneira
Alguém ganha na confusão

Um pouco de ordem e respeito
Apostar na organização
Portugal seria perfeito
E não a eterna confusão


segunda-feira, 6 de março de 2017

CANCRO - II

Há uma grande diferença em estar canceroso e ter um cancro: entre a semântica da condenação e algo que queremos passageiro.


domingo, 5 de março de 2017

SILÊNCIO - V

Às vezes dizemos: tenho a palavra debaixo da língua. Em certas ocasiões aí deveria ter ficado, desvanecendo-se numa lenta dissolução.




sábado, 4 de março de 2017

PALAVRAS – XVII

Usar as palavras com parcimónia: como se fossem limitadas. Como se se gastassem com o uso e tivesse de guardá-las, preciosas, para outros momentos.


quinta-feira, 2 de março de 2017

MEMÓRIAS

Há sempre uma tristeza em ver as tuas fotografias. Não as de quando eras jovem, porque nessas já não existias. As de velhinho, as da memória dos últimos dias.

Escultura de Dario Boaventura



quarta-feira, 1 de março de 2017

INSTRUMENTO

Tomou-se pelo instrumento. Àquele objecto entregava a dureza da vida. Sereno, o instrumento devolvia-lhe a música.