Seria
a água, os reflexos, as estreitas ruas coloridas, a explosão de flores nas
janelas? Ou a brutalidade de desaguar nesse líquido espelho logo à saída do
comboio? Nos meandros memória procuro o teu encanto.
Só as folhas te traem, Outono. Esqueceste-te de arrefecer
os dias, de apaziguar incêndios, da sede das flores. E nesta luz sem retorno,
concedes-nos o privilégio de tardios banhos de mar.
No
encurtar dos dias, estampam-se nas árvores todas as cores do entardecer. A
hegemonia do verde, traída pelo abandono da clorofila, dilui-se na luz dourada
que o envolve.