sábado, 14 de março de 2015

AMENDOEIRAS

- Seja como for – disse a Joana – valeu a pena ter vivido.

As amendoeiras em flor penetravam-lhe o olhar, entranhavam-se-lhe no coração e a respiração suspendia-se.












sexta-feira, 13 de março de 2015

VIDES

Exército de videiras, alinhadas na parada, oferecem-me o privilégio de passar revista com o olhar.







Aos pedaços

É verdade que as lagartixas podem perder a cauda. Ainda que fruto de um acidente, são elas que descartam parte do seu corpo. Se presas ganham assim a liberdade, mas não se perdem porque a cauda volta a crescer.

A nós, efeito de acidente, doença, ou da morte que inexoravelmente se aproxima, cortam-nos aos pedaços. Pedaços que não regeneram, nem no corpo, nem na alma. Algo falhou que não nos permite desaparecer de forma tranquila.


Fotografias de Mário Gomes

quinta-feira, 12 de março de 2015

Rio Douro - II

Ficaria na contemplação deste rio. Se calhar eu já morri e não dei conta. A morte veio de mansinho e eu ganhei este pedaço de Paraíso.










quarta-feira, 11 de março de 2015

GEOMETRIA

Linhas, curvas, é aqui que a geometria perde a aridez dos livros, ganha vida, e me deslumbra.












terça-feira, 10 de março de 2015

Rio Douro

Levo este espelho. Na luz do nascer do dia: o ilusório, nos seus tremidos pormenores, embeleza ainda mais a paisagem. Mais à frente, a suave ondulação devolve uma folha dourada. Sei, agora, porque te chamam Douro.








segunda-feira, 9 de março de 2015

LENDA

À Moura, perdida do país natal, o manto de flores apaziguava as saudades da neve. A mim, salpicos de branco e rosa, traz-me a serenidade de um mar que se infiltra num areal verde. Rebanho onde as ovelhas, em socalcos, viram a lã transformada em flores.