segunda-feira, 1 de agosto de 2016

INDEFINIÇÃO

Porque aturamos mais facilmente a indefinição das pessoas do que a do tempo? Amigo de hoje, amanhã vota-nos à ignorância, não sem antes o mostrar, até com alguma ponta de cinismo. Mas se a um dia lindo de sol se segue frio ou chuva, impróprios do calendário, não há outro motivo de conversa, nem outra causa para o nosso mau humor. O que aceitamos com normalidade nas relações humanas, condenamos veementemente na natureza.


domingo, 31 de julho de 2016

FELICIDADE - IV

Só queriam a sua felicidade. Aquilo que entendiam como felicidade. E que nada tinha a ver com pés descalços, odor da terra, quimeras duvidosas. Ela: só queria ser feliz.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

COMUNICAÇÃO – VII

Exprimia-se com meias palavras que convinha ler nas entrelinhas. Eram os silêncios, as palavras que não se atreviam a ser pronunciadas, que mais o denunciavam.


domingo, 24 de julho de 2016

DECORO

Era uma operação. Cirúrgica? Talvez não. Fiscalização de trânsito. De veículos, apenas. Pena não ser possível parar a transeunte, nos limites do decoro, onde o olhar dos polícias se perdeu. 


sábado, 23 de julho de 2016

EQUILÍBRIO

Roeu-lhe a corda: frágil, a única que a segurava à vida. Livre da ilusão, deixou-se cair na realidade.




quarta-feira, 20 de julho de 2016

TEMPO - V

- Dá-me quinze minutos! – Disse-lhe ela e desligou-lhe o telefone.
Bem que ele gostaria de lhe dar todos os quinze minutos que ela quisesse. Mas não era dono do tempo.