terça-feira, 1 de abril de 2014

Dia das mentiras

Se instituímos um dia das mentiras, é porque partimos do pressuposto que somos verdadeiros nos restantes dias do ano. Assim, este seria o dia em que tudo era permitido, em que enganar os outros não passava de um divertimento.

No entanto, a existência deste dia dedicado ao logro, não oferece qualquer garantia sobre a integridade dos outros dias. Com a agravante de nesses outros dias, ninguém saber, de antemão, que pode estar a ser enganado.

Tivéssemos ao menos instituído um dia das verdades. Era pouco, dirão alguns, mas muito poderia acontecer se durante esse tempo fossemos compelidos a dizer a verdade.

segunda-feira, 31 de março de 2014

INSÓNIA - II

Perturbam-me o sono as ideias que não conseguem encontrar palavras.

Depois, na manhã que desponta, brotam textos, indiferentes à minha insónia.

domingo, 30 de março de 2014

Aldeias de Xisto – Talasnal

A aldeia impõe-se numa serra a perder de vista. No deserto de gente, três gatos deambulam. Reina um silêncio onde o frio, e o silvo do vento, desnudam o agreste dos dias, no pitoresco da aldeia abandonada.







sexta-feira, 28 de março de 2014

Casa fechada

O cadeado no portão protege a casa fechada.

Que palavras, gastas ao sabor dos dias, ecoaram naquelas paredes? Que rostos, histórias desaparecidas, brincadeiras de crianças, foram eternamente remetidos ao silêncio?


quinta-feira, 20 de março de 2014

RECORDAÇÕES - II

Esta casa recorda-me a infância. Como se os pedacinhos de madeira com papel pintado, dispostos em variadas construções, tivessem crescido comigo. Se fossem várias casas, encontrar-me-ia nas cidades que há tanto tempo imaginei.

Esta casa evoca-me um tempo que, sendo meu, já não me pertence.


                           

terça-feira, 18 de março de 2014

SILÊNCIO - III

É um pouco triste comer em silêncio, mas é menos triste quando se sabe que não tem de ser assim. Percebo, que para apagar este silêncio, onde cada ruído amplifica a ausência, alguns acendam a televisão. Assim, já não se ouvem pensar. Assim, entra todo um mundo na casa vazia.

sábado, 15 de março de 2014

IRMÃO

Dá-lhe a mão. E o seu mundo pequenino é agora grande. E nele cabem os mistérios que ainda não domina, os medos que ainda o perseguem, e a certeza de que, na sua mão, descansa a essência da vida.