terça-feira, 16 de setembro de 2014

Há momentos

Há momentos em que atravessas os pensamentos. Nas pessoas que me cruzam, nas palavras, na quietude. De forma subtil, a saudade invade-me.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Gymnopedie nº 1 - Erik Satie

Fechava os olhos. Suspensas, as mãos entregavam-se às teclas do piano, abandonavam-se em sons, e toda a alma era música.

Fotografia de Mário Gomes

domingo, 14 de setembro de 2014

HISTÓRIAS

Roubo as palavras. Aproprio-me dos diálogos, histórias perdidas em gente que não conheço. Sem pudor altero-os, enfeito-os, e construo os meus imaginários.

sábado, 13 de setembro de 2014

NOSTALGIA – III

Há muitos anos atrás, outra que já não sou eu atravessava esta Rotunda arrastando as folhas e a luz do Outono que se iniciara. Na nudez deste Verão sem tempo, ainda as ouço restolhar.

Fotografia de Mário Gomes

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

COMUNICAÇÃO – II

Do alto da sua cátedra, monocórdico, usando palavras difíceis, apoiava-se no seu baixo tom de voz, para o quase adormecimento da audiência.

Mas devia ter todas as competências (usando o seu próprio código de linguagem), para perceber como aniquilava a comunicação. Ou, como ele dizia, a partilha.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Broas de mel – as salsichas da pastelaria


- Queria 6 pães, por favor. Tem broas de mel?

- Não vendo broas de mel. São feitas de restos. E eu não tenho restos, só faço aquilo que se vende, não sobra nada. As broas de mel são feitas de restos, com vários dias. Há pessoas que até põem bolos de creme. Disfarçam com chocolate. E além disso, por cada broa de mel, é menos um pastel que se vende.
Quer mais alguma coisa?

- Não, obrigada, era as broas de mel.

Comemos o pão. Mais valia as broas de mel.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

INSÓNIA - IV

O cérebro acordou-o antes do cansaço do corpo. Fervilhava de ideias nas dores das costas não recuperadas. Prepotente, recusou-lhe o merecido descanso.