quarta-feira, 12 de agosto de 2015

GENT

Na chegada aos canais, uma mistura de cidades apoderou-se das memórias: aqui Veneza, ali Florença, um pouco de Bruges. E, nessa miscelânea, o deslumbramento.

















RAIZ

- Ela através da raiz pode fazer um dente. – Disse a rapariga.

Como se faz isso? Pensou árvore. Seria engraçado poder ter dentes em vez de frutos. Afinal, dar frutos era uma coisa tão vulgar…


terça-feira, 11 de agosto de 2015

No Metro - VIII

- Mãe, existem aqui tubarões?
- Não, no Metro, não. – Responde um rosto demasiado jovem. Na verdade (pensa), talvez existam alguns.
- Oh, na praia, eu estou a falar da praia.
- Não. – Responde, dando à criança um sossego que não conhece.



segunda-feira, 10 de agosto de 2015

FATAL

É fatal como as coisas fatais: dizia o meu pai. Cinema, avião, comboio, concertos, qualquer coisa com lugares sentados, atrás de nós sempre fica alguém que nos dá pontapés nas costas da cadeira. Escolhemos um lugar, acreditamos que ao acaso, mas nesta lotaria dominada sabe-se lá por quem, logo nos destinam o personagem certo para as costumeiras pancadinhas nas costas. Desta vez é uma criança pequena: não há mesmo nada a fazer.

Fotografia de Mário Gomes

DESPEDIDA - VII

Despedidas são sempre despedidas. Há sempre mais um beijo, um último abraço, e os passos que se afastam na cadência das malas. Não se olha para trás, para quem fica na porta. É a mesma nostalgia, porque quem agora parte, na próxima vez fica.

Mas agora o teu mundo ficou um pouco mais nosso: sabemos o cheiro da casa, a cor das paredes, o riso dos amigos. E, nesta sensação de pertença, gerimos a saudade, cada um à sua maneira.


domingo, 9 de agosto de 2015

Ser português

Depois de alguns dias neste país, na calma da cidade, na segurança das deambulações nocturnas, na organização calorosa do hospital, na ausência de mendigos, na facilidade da interacção cultural, na perceptível qualidade de vida, pergunto-me se vale a pena ser português em Portugal.











sábado, 8 de agosto de 2015

FONTE

Delicadas figuras que se movimentam ao nosso gosto: fonte transformada em brinquedo. Outras fontes, outros detalhes, que dão alma à cidade.