De um lado o rio, ora
calmo, ora revolto, embalado na canção das pedras e dos redemoinhos. Do outro a
vegetação, o verde nos troncos entrelaçados de musgo, onde saltitam chilreios,
os salpicos amarelos dos prados, a vigilância das dedaleiras. Passadiços
atravessam águas e desnudam cascatas. Passa alguma gente, mas pouca, que não se
esquece do cumprimento. Na maior parte do caminho somos os únicos donos deste
reino.
terça-feira, 31 de maio de 2016
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Guardar a chuva
Não têm guarda-chuva: as flores. Mas guardam a chuva: as
gotas que ficam quando a chuva se vai. Avivam-lhe as cores quando, mesmo tímido, o sol as acaricia.
domingo, 29 de maio de 2016
Vinhas do Minho
Aqui as vinhas são
telhados: não rasteiam. Mas as rainhas da paisagem, na Primavera indecisa, são
as giestas.
quinta-feira, 26 de maio de 2016
PINTURA
Decidiu a natureza, entregue
à luz da manhã, diluída a chuva, salpicar no verde o amarelo, acrescentar as
cores vivas das flores, e oferecer-nos esta pintura.
quarta-feira, 25 de maio de 2016
SENTADOS
Sentados: a ver passar a
vida. Os olhos abandonam-se no carro que passa, no guarda-chuva descuidado que
a chuva não convence. Na tarde que se arrasta, mais uma passa no cigarro, mais
um gole na cerveja. Calados. A conversa já se esgotou no eco dos dias.
terça-feira, 24 de maio de 2016
segunda-feira, 23 de maio de 2016
SILÊNCIO - III
- Pára com essa cantilena! – Disse-lhe ele, no limbo do
adormecer.
Já nem calada estava em silêncio. O ruído dos seus
pensamentos perturbava o mundo em redor. Era tempo de acalmar a mente.
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