sábado, 22 de novembro de 2014

BARCELONA

Redescobrir a cidade nas ruas e recantos, nos reflexos e nas palavras. E, em cada regresso, deixar a cidade surpreender-me.























sexta-feira, 21 de novembro de 2014

DISCURSO

No tresloucado discurso
fez um impávido excurso
num derradeiro recurso
para convencer a plateia.

Mas esse não era o percurso.
Para não fazer figura de urso
regressou à sua aldeia.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

MATERNIDADE - IV

É um membro amputado: o cordão umbilical. E é essa ligação invisível que nos mantém em sintonia, que me faz adivinhar os teus males. Como na dor fantasma.

Trabalho de Dario Boaventura

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

ADÁGIO

Diz o adágio que, se fôssemos todos iguais, que seria do amarelo. Mas aqui, neste dia de chuva sobre o cinzento do rio, o amarelo triunfa.

















terça-feira, 18 de novembro de 2014

AMIZADES – II

Há amizades que demoram. Outras explodem, como se apenas aguardassem pelo (ocasional?) encontro. Umas têm anos, entrecortados pelos dias; outras são recentes, acabadas de desembrulhar.

Umas e outras constroem a minha vida.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

FLORES - III

Brotam no campo. Espontâneas ou fruto de um longo cuidado; como as palavras. E a elas se aliam: nas felicitações, nas declarações de amor, nas despedidas. Às vezes, são o único testemunho.








domingo, 16 de novembro de 2014

DESPEDIDA - III

Temia, nos últimos anos, que de repente o telefone tocasse e a mãe dissesse que partiras. Achava que seria assim. Algo de brutal numa morte que me era mais próxima.

Mas quis (não sei quem quis) o tempo que temos que não fosse assim. Na verdade foi a mãe que recebeu o telefonema, mensageiro da eterna despedida.

Nada houve de súbito. Foste-te apagando lentamente, primeiro o corpo, depois a mente. E só o ofegar da respiração, e a frialdade das mãos, te afastavam do menino adormecido.