Ver
alguém fazer esforço para comer é algo que me dói de forma visceral. Dos
recônditos da memória invadem-me, sem que de isso me aperceba, as longas horas
da minha infância passadas à mesa.
A
mesma luta contra a comida que nunca mais desaparecia do prato. O arroz que era
afogado com água, reconstruído num grande círculo, fantasiado num bolo e depois
cortado em fatias. Para que assim escorregasse melhor.
O
menu que me era apresentado não fazia qualquer diferença, porque
inexoravelmente era vítima desta violência gastronómica. Entre mim e a comida
não havia qualquer respeito e eu tratava-a com o desprezo que a minha anorexia
lhe merecia.
É por
isso que quando vejo o teu esforço para comer, a criança sem apetite reaparece,
toca-me no braço, e sussurra-me: “Por favor, tira-lhe o prato!”
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