terça-feira, 17 de abril de 2012

Poemas - Às vezes é tão difícil sorrir

Às vezes
é tão difícil sorrir
é difícil pôr nos lábios
o desenho da felicidade.
É então que os olhos se tornam pensativos
e se prendem em pequenos objectos,
num copo de vinho,
num rosto desconhecido.

Às vezes sorrir
é disfarçar a lágrima. 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Não é um maninho

O que será para uma criança a chegada de um irmão? Obviamente dependerá da sua idade, mas associada à expectativa, à ansiedade, à alegria de vir a ter um companheiro de brincadeiras, haverá algum sentimento de perda, alguma consciência de que o seu mundo vai mudar.

Durante meses é-lhe anunciada a chegada do maninho, esse mesmo que, sem pudor, vai transformando o liso ventre da mãe num imenso balão.

E chega o dia em que, finalmente, vai poder ver o prometido companheiro de brincadeiras. No entanto, muitas vezes, não passa de uma desilusão. Não é um maninho, é um bebé. Só mama, só berra, só chora e ninguém deixa pô-lo a andar de triciclo.

sábado, 14 de abril de 2012

Poemas - Saber ser

Saber ser

Saber ser.
Como a flor
que o sol entontece.
Como o rio
que nunca esmorece.
Como a ave
que quando voa
cresce.

Como a flor
o rio
a ave
não inventar desejos
não despir a inocência
não eternizar o passado
nem temer o futuro.

Saber ser,
em cada momento
e fazer do amor o meu alento.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ainda Auschwitz

Estou a ler a “A última testemunha de Auschwitz”, de Denis Avey, e à medida que o relato se aproxima dos campos de concentração, dou por mim a ver o que senti, espelhado nas palavras do autor.

Eu não estive lá, estive sim no museu/memorial e nos destroços de Bikernau, por isso fico admirada como mesmo assim, a bestialidade que o memorial emana ainda é tão forte. A ponto de as imagens, as palavras, que na altura emergiram misturadas com lágrimas que não reprimi, serem as mesmas de quem sobreviveu àquela miséria humana.



E assim, tomei novamente consciência da importância do memorial.

terça-feira, 10 de abril de 2012

RECORDAÇÕES



As recordações, ninguém mas pode tirar. Mas certamente que as vou distorcendo com os anos e o que guardo no coração poderá não ser o que realmente aconteceu.

Às vezes vêm mais doces, limadas pelas agruras dos anos que se lhes seguiram, e libertam um sorriso ou uma lágrima. Outras vezes ficam pesadas e quase me afundam no mar do desalento.

Mas pertencem-me e posso ir buscá-las quando quiser.

De qualquer forma, como têm o valor que eu lhes quiser dar, estou a pensar usá-las de forma mais benéfica. Usá-las para não perder a criança cá dentro, os sonhos, as gargalhadas espontâneas. As mais duras, tirar delas as lições necessárias, dar sentido ao sofrimento, e nada mais.

domingo, 8 de abril de 2012

Poemas com rima – A vida que eu aqui trago

A vida que eu aqui trago
escondida no meu regaço
é para os outros fruto amargo
de um não muito longo abraço.

Mas tão logo me enredou
num elo sem retorno
e de quem não me amou
só espera o abandono.

De mim terá para sempre
o amor que conquistou
desde que habita o meu ventre.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

SOBREVIVÊNCIA

O ser humano habitua-se a tudo. Sobrevivemos às piores condições e raramente desistimos.

É para mim, todavia, uma surpresa ver como situações que anteriormente consideraríamos como degradantes, passam a ser interiorizadas como normais. E às vezes até  conseguimos achar  que são uma mais-valia.

É bom que assim seja, já que nos permite ultrapassar as mais cruciais dificuldades.

Mas, para quem está de fora, não deixa de ser estranho.