sábado, 27 de abril de 2013

As imagens


Às vezes procurava as imagens que ilustrassem as palavras, como damas de companhia. Agora, são as imagens, os enquadramentos, a luz, que se fazem pensamentos. São as imagens que ganham frases, rimas, cadências. Poderosas, são elas que triunfam.


sexta-feira, 26 de abril de 2013

A Mia à janela-II


No parapeito de outra janela, a Mia, dormia. Fui de mansinho, para a apanhar no seu torpor. Não sei se não queria, a fotografia, ou se sentiu o meu odor. O certo é que abriu os olhos, fitou-me com ar superior. Mas não conteve um bocejo, e a Mia, na fotografia, mostrou todo o seu esplendor.




quinta-feira, 25 de abril de 2013

RECOMEÇAR


Recomeçar em cada dia

Sem passado nem futuro

Reinventar a alegria

Para poder transpor o muro.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Dia a dia

São tantas as vidas que se cruzam de manhã na estação do Metro.
Enquanto uns não saem, outros já entram, e eu no meio deles.
São histórias por contar, onde imagino finais felizes.

domingo, 21 de abril de 2013

A Mia à janela


A Mia à janela, olha o mundo que lhe é vedado.

Não sabemos de onde veio, em que caminhos brincou ao sol, se cresceu junto a algum ninho de rolas (ronrona como se arrulhasse).

Não sabemos sequer se, nestes longos minutos em que, parada, observa a rua, pensa nesse paraíso perdido. Se considera, em algum momento do seu devaneio, se o conforto e o alimento certos compensam a liberdade perdida.


sábado, 20 de abril de 2013

O eléctrico


Passa o eléctrico. Reduto da minha adolescência em múltiplas viagens com direito a mar. Tão anacrónico como as recordações, faz-me rever a bolsa do revisor, o tim-tim, as conversas com os colegas.

Apetece-me entrar. Na verdade, impelida a regressar a um tempo que já não existe.

Fotografia de Mário Gomes


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Olhem para mim


Umas pernas gordas enclausuradas dentro de meias transparentes com coraçõezinhos pretos. Nos limites, uns calções de napa e uns botins de saltos altos. Só pode querer dizer: “Olhem para mim”.

Porquê? Ficamos sem saber.