segunda-feira, 6 de maio de 2013

PULGA


A Mia tem uma pulga, que julga que é dona dela. Passeia, dá umas picadas, com a indiferença de quem manda.

Para a Mia é coçadela, são borbulhas a eito. E para se livrar dela, medicamentos a preceito.








Vamos a ver se passa, porque a pulga, qual ameaça, não se deixou incomodar, com a terapia que se tem feito.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

NOSTALGIA

Estas crianças que ainda são crianças, lembram-me os meninos que já são homens. E nas suas mãos dadas, entrelaçadas nas conversas infantis, vejo os vossos rostos, as vossas mãos.
Na nostalgia da vossa infância perdida, apetecia-me abraçá-los. Mas acelero o passo, e simplesmente sorrio.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Os sem-abrigo


Aqui, os sem-abrigo são gatos. E neste barco, até a palavra sem-abrigo perde o sentido.

Passeiam, comem, dormem, brincam. Contemplam o canal, ao sol.

Esperam um dono, mas não há pressa. O barco não vai a lado nenhum.







terça-feira, 30 de abril de 2013

Escrevendo

Só escrevendo é que os pensamentos se fazem palavras. Ganham cor, voam, são livres.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

PREGUIÇA

Tanta preguiça, que no sol embala, aquece, estremece. Abre um olho, estica a perna, franze o sobrolho. Rebola, boceja, faz pose, a ver se a fotógrafa se resolve. E se lhe deixa o sossego, a preguiça e o calor do sol.

sábado, 27 de abril de 2013

As imagens


Às vezes procurava as imagens que ilustrassem as palavras, como damas de companhia. Agora, são as imagens, os enquadramentos, a luz, que se fazem pensamentos. São as imagens que ganham frases, rimas, cadências. Poderosas, são elas que triunfam.


sexta-feira, 26 de abril de 2013

A Mia à janela-II


No parapeito de outra janela, a Mia, dormia. Fui de mansinho, para a apanhar no seu torpor. Não sei se não queria, a fotografia, ou se sentiu o meu odor. O certo é que abriu os olhos, fitou-me com ar superior. Mas não conteve um bocejo, e a Mia, na fotografia, mostrou todo o seu esplendor.