sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

ESTAÇÕES

Voltava a ser Verão
Depois Inverno
Em cada estação
O olhar terno
Vestia  o fruto
Despia a folha
Não havia escolha
Nada era eterno.




LÁGRIMAS - IV

Eram lágrimas fáceis que brotavam de sentimentos difíceis.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

COMUNICAÇÃO - VI

Vivemos a vida em directo. Criámos um mundo onde todos podemos ser figuras públicas. Como espécie parecemos ter atingido o auge da conectividade. Mas não falamos cara a cara, não conhecemos o vizinho, não damos a mão às lágrimas de um desconhecido. Distanciamo-nos cada vez mais da nossa essência humana.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Ressonância magnética

Com medo do cateter
Não precisou de éter
Para quase desmaiar
De pernas para o ar
Com a sugestão
Baixou-lhe a tensão
Mas deram sumo de laranja
E o exame foi canja.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

AMBIGUIDADE

O padrão daquela saia é o mesmo da minha cortina.
Esta versatilidade é inerente à natureza.  Se o número de peixes presentes num determinado espaço for muito grande há maior facilidade de transmissão de doenças, mas se for muito pequeno pode não haver reprodução. A aspirina, em doses elevadas, funciona como anti-agregante das plaquetas, mas em doses muito pequenas pode promover a sua agregação. Pode ser uma questão de quantidade ou uma questão de contexto.
Então, porque nos espanta tanto a ambiguidade no ser humano?



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

ESCREVENDO

Segue a mão a linha do pensamento. Hesita. Suspensa, a caneta aguarda: indecifrável. No rosto as ideias afluem. Revejo-me nesta observação.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

HISTÓRIAS - II

As histórias sempre a fascinaram. Invariavelmente começavam: era uma vez; como se de uma coisa simples se tratasse.  Na verdade, aconteciam coisas estranhas, assustadoras, com pessoas muito más que  fabricavam maçãs envenenadas, com lobos que comiam avós, com pais que abandonavam os filhos na floresta. Mas, no fim, tudo se resolvia e a paz era alcançada com: viveram felizes para sempre; por mais complicados que fossem os desígnios do autor. Por isso, andava pela vida como pelas histórias: à procura de um final feliz.