Opinava muito. Era uma tarefa que lhe dava muito
trabalho, porque procurava estudar a fundo os mais diversos assuntos. Mas nada
lhe dava tanto prazer: ter sempre algo a dizer qualquer que fosse o assunto,
nunca ser apanhado de surpresa, quer a conversa fosse sobre intricados temas
filosóficos, sobre o habitat das
minhocas, ou sobre as tricas e laricas das notícias de cordel.
Onde chegava, rapidamente se tornava o centro das
atenções, com o discurso fluido do perito. “Como é que ele sabe tanta coisa?”:
ouvia murmurar à sua volta e sentia-se invadido por uma onda de satisfação. O
problema é que, pouco a pouco, percebeu que os outros se afastavam.
Corria o risco de acabar a falar para as paredes. Para
que isso não acontecesse resolveu adoptar um gato: é bom ouvinte e se, por
acaso, resolve contrapô-lo, cinge-se a uns breves miados.
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