No Domingo à tarde (noite), no meu prédio, é dia de marteladas. Há os que passam a ferro, cozinham, tocam um qualquer instrumento, vêem televisão, e há os que martelam. Devem pensar, está tudo tão sossegado, não tenho nada para fazer, que tal se fosse martelar um bocadinho? O barulho? Não importa, sou um pouco surdo e além disso o vizinho de cima sacode a toalha e deixa as migalhas no parapeito da minha janela, por isso porque não hei-de martelar um pouco? O meu martelar tem graça…
O que me faz confusão é onde existe tanto para martelar… Onde arranjam a matéria-prima para estes concertos domingueiros tocados com tanto afinco. Dados os vários anos de residência neste prédio, este espaço comum de partilha dos mais diversos ruídos, será que se entretêm a mudar os quadros todas as semanas? Poderia talvez pensar nalguma carpintaria clandestina (dado que ao som do martelo acresce o de outras ferramentas diversas – a máquina de furar não tem um som sublime?), mas nesse caso, não ganhava para o negócio…
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