domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ainda o ventre

O cordão umbilical, suporte de vida, é cortado à nascença, proclamando a nossa entrada no mundo. A nossa independência. Que é teórica, pois somos a cria mais dependente que se conhece.



É certo que alguns têm sobrevivido longe dos seus semelhantes, que se saiba não logo após o nascimento, mas na verdade com muito poucos traços da sua espécie de origem. Não possuem o dom da linguagem. Mesmo se porventura vierem a aprender a falar, o discurso é rudimentar, e a sua relação com os semelhantes será sempre difícil.

Transitamos do ventre que nos alberga, de uma dependência visceral, para uma dependência mais subtil, que até já nos poderá permitir sermos afastados desse ventre, desde que alguém assegure o alimento, a protecção e os afectos.

Mas na realidade algo de muito forte, simbiótico, existe neste enlace do ventre. Há quem diga que muito se deve a uma pequena molécula, que responde pelo nome de ocitocina. Há quem sinta que é algo muito mais profundo. E, como dizia um amigo meu, às vezes até parece que o cordão umbilical nunca foi cortado.

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