A Teresa tinha 19 anos, uma vida pela frente, um aborto que não correu bem, e sobretudo a angústia da decisão tomada.
Com que direito aquele ser indesejado se tinha instalado anonimamente no seu ventre, disposto a roubar-lhe os sonhos? Mas por outro lado, como seria ele? Como não sentir que estava presa nessa teia, que já os unia, desde o primeiro momento em que o adivinhou?
Falou com a companheira do quarto. Partilhar o fardo da angústia poderia trazer-lhe alívio, apesar de nada saber dela, a não ser que se chamava Luísa e que acabara de ter um bebé. E isso tornava a sua dor ainda mais penosa. Mas uma desconhecida, limitar-se-ia a ouvir, sem se aventurar nas críticas que só a confiança permite.
Estava tão triste, tão desapoiada… Parte dela lutava ainda por esse bebé que já não existia, apesar da negação dos pais e do namorado.
A Luísa ouviu-a, mas não teve a coragem de lhe dizer o quanto entendia a sua angústia.
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