sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

CONDUZIR


Tenho dificuldade em guiar. E muito mais agora, depois que fui abalroada por uma ambulância do INEM, e o meu Fiat Seicento foi parar à sucata. (Por pouco não ia eu também).

Nunca senti vontade de me sentar ao volante, pôr o cinto, rodar a chave na ignição, e aqui vou eu. Já houve quem dissesse que isso era sinal que eu nunca tinha querido conduzir a minha vida…

Quando me decidi finalmente a conduzir, era com inveja que eu observava o à vontade com que as outras pessoas, mais concretamente as outras mulheres, executavam indiferentes todos estes pequenos gestos. Também eu acabei por me parecer com elas. Parecer, digo bem. Porque nunca resolvi a questão de me ser difícil estacionar, calcular distâncias, saber onde estou. Pequenos detalhes de orientação espacial.

Mais tarde vim a descobrir que não serei a única. Existem diferenças de género neste aspecto particular (bem em como em muitos outros…).

Estudos vários têm mostrado que as mulheres experimentam mais dificuldades do que os homens nas tarefas de orientação espacial. Trata-se de uma questão de necessidade. Nos primórdios do aparecimento da nossa espécie era o homem que caçava, por isso era imprescindível para a sobrevivência que ele soubesse voltar para casa. Tal como era, no caso da mulher, intuir as necessidades da sua cria, para melhor dela cuidar.

O mesmo se observa em muitos animais,  em que também por norma os machos apresentam melhor desempenho nas tarefas de orientação espacial. Mas o oposto também acontece.No pássaro da espécie Molothrus ater, é a fêmea que procura extensamente ninhos de outras aves para parasitar. Tem também de se lembrar onde as vítimas potenciais iniciaram os seus ninhos de forma a regressar a eles vários dias mais tarde, quando já pode pôr o seu ovo junto dos que foram já postos pela ave parasitada. Por sua vez, o macho não tem de enfrentar estes difíceis problemas espaciais. Por isso mesmo a fêmea tem a zona do cérebro responsável por esta tarefa (o hipocampo) mais desenvolvida que a do macho. Estas diferenças não se verificam em parentes não parasitas desta espécie.

Portanto, como diria a minha avó, não é defeito, é feitio.

Não é todavia grande consolação quando tenho de ir a pé porque teimo em deixar o carro na garagem.



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